Blog Pausa

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Animal Collective

22/12/2009

Fim de ano é época de listas, e este mês o site Pitchfork, referência em música, soltou suas listas: 50 melhores álbuns de 2009 e 100 melhores músicas de 2009. A banda que está encabeçando as duas listas é a (um pouco controversa) Animal Collective. Assista abaixo ao vídeo da música My Girls, considerada a melhor de 2009 pelo Pitchfork.

O que acham?

(por: Fernanda Gontijo)

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Sobre a literatura e a internet

21/12/2009

No mês passado publiquei um post propondo uma reflexão sobre a literatura e a internet (ou as possibilidades da literatura na era da internet, corrompendo um pouco Benjamin). Estava previsto para este mês a continuidade do post, mas as contingências do mundo do trabalho me têm feito adiar um pouco a escrita da parte 2. Enquanto ela não vem, leia abaixo uma interessante matéria sobre o crescimento da venda dos e-books neste ano de 2009, publicada na Folha de São Paulo, no dia 20/12. Segue texto integral.
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E-books tentam fechar o ano com boas vendas no Natal
MATEO SANNCHO CARDIEL
da Efe

O hábito da leitura começou a mudar para sempre ao longo de 2009, com a aposta da indústria eletrônica nos e-books, dispositivos para leitura de livros eletrônicos que buscam se tornar um dos presentes mais procurados deste Natal.
Será este Natal o início do fim da era do papel? O que está claro é que o Kindle ultrapassou em 2009 a barreira das invenções promissoras para entrar no território dos que, como a internet, o telefone celular e o iPhone, produzem uma mudança irreversível.
A Amazon, que se aliou com o Kindle para criar um sistema de monopólio similar ao do iTunes e iPod da Apple, anunciou no final de novembro que seu dispositivo já era o produto mais vendido de seu site, com 3 milhões de unidades vendidas este ano.
Suas ações dispararam para US$ 135,25 e as estimativas para 2013 são de 13 milhões de exemplares. Para muitos, o dispositivo de leitura ficará associado a sua marca mais famosa: o Kindle.
“O papel ficará como um objeto de culto, algo parecido ao que aconteceu com os cavalos e o carro”, segundo Juan González de la Camara, diretor-geral da Grammata, site que distribui para o dispositivo de leitura espanhol, o Papyre.
Mas também há alguns nostálgicos, como o belga Antoine Compagnon, catedrático de História e Literatura, que afirmou, em entrevista ao jornal “El País”, que “é difícil uma leitura prolongada de Proust ou Hegel em um livro eletrônico” e que “um livro implica em uma paisagem, um território a explorar” que se perde na tela.
No “The New York Times”, por outro lado, os responsáveis aderiram rapidamente.
“Soubemos por mais de uma década que chegaria um dia em que um produto de leitura eletrônica ofereceria a mesma experiência satisfatória de ler um jornal impresso”, disse Arthur Sulzberger, o presidente da companhia editora do jornal, ao apresentar o Kindle DX, que ampliava a memória do dispositivo para 3,5 mil livros.
Enquanto isso, o jornalista Robert McCrum titulava um eloquente artigo: “Ninguém sabe nada e outros dilemas da era do e-book”, no qual dizia que “uma coisa está clara: não é o início do fim, mas é, provavelmente, o final do princípio”.
Ou seja, não cabe mais ficar na defensiva e, como fizeram as fonográficas ao se aliar com o iTunes ou o YouTube, é preciso negociar com o antigo inimigo para não ficar para trás, segundo os especialistas.

Preço amigável
O Kindle baixou de preço para US$ 259, o leitor da Sony e o Nook aceitam mais tipos de arquivos e introduzem cor, a Google colocou 8 milhões de livros disponíveis on-line e a Marvell anunciou que apresentará seu e-book reader no início de 2010 por US$ 150. A maquinaria já não pode parar.
Na Feira do Livro de Frankfurt, houve uma espécie de réquiem do papel. Um especialista dos livreiros alemães, Roland Schil, afirmou que chegará o dia em que esses aparelhos se tornarão algo cotidiano e se chegou à conclusão de que, em dois anos, 25% do negócio será digital.
As vantagens claras são a portabilidade e o respeito ao meio ambiente, assim como, devido à economia em custos de distribuição e impressão, a queda dos preços. O livro de ficção mais vendido na Amazon para o Kindle é “Eclipse”, de Stephanie Meyers, por pouco mais de US$ 5.
Também há a acessibilidade dos índices e a ubiquidade dos pontos de venda. Mas, mais uma vez, a tecnologia vai à frente da legislação e entram em jogo as questões de propriedade intelectual.
Por outro lado, retomando o discurso de Compagnon, talvez seja preciso procurar a grande mudança na dinâmica social do homem.
“O ritmo da leitura não tem qualquer relação com o ritmo dos meios audiovisuais, dos portáteis, dos celulares. Pode parecer piada, mas o tédio estimula a leitura (…) e hoje parece ser proibido se entediar”, conclui o intelectual francês.

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Deixando de lado os números e a paixão de muitos pelo objeto-livro (incluo-me nesse grupo), acho que, mais uma vez, ficou de fora o principal ponto dessa discussão: haverá uma literatura feita, especificamente para esses novos aparelhos, aproveitando os recursos da internet? E como ela seria?

Ps1: não estou pensando nessa obsessão pela concisão advinda dos microblogs, como Twitter. Basta lembrar, na prosa, a anterioridade das fábulas clássicas e, mais recentemente, das short stories americanas; na poesia, citemos apenas o Haikai oriental.
Ps 2: tenho uma ideia de como levar adiante essa discussão, mas acho que isso levará ainda um tempinho…

(por: Rafael Reis)

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Top 5

18/12/2009

Esse post inaugura uma série de setlists com temas um pouco inusitados. O tema do top 5 a seguir não poderia ser mais apropriado: fim de ano.
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1. I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years

(Venus in furs, Velvet Underground)

2. I need to sleep why don’t you let me
I need to sleep why don’t you
I need to sleep

(Filmore Jive, Pavement)

3. Please send me evenings and weekends
Please send me evenings and weekends
Please send me evenings and weekends

(Return the gift, Gang of Four)

4. It’s always better on holiday
So much better on holiday

(Jacqueline, Franz Ferdinand)

5. Please don’t wake me, no
don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

(I’m only sleeping, Beatles)
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(por: Alexandre Fantagussi)

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ryotira de sexta

(por: Fernanda Gontijo)

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A obsessão

16/12/2009

Prosa enviada por Luisa Lamounier ao blog.
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A obsessão

___Apertava-me a força que minha consciência fazia contra a obsessão que brotava em mim. O desespero dos obcecados se dá de uma forma horrorosa, corroída pelo veneno do ódio mesclado com a impotência. Pois é o que somos – impotentes. Fragilizados pela circunstância de nossa demência. A obsessão vem como uma realização maldosa e acha seu caminho por dentre a sanidade, destroçando-a como as traças destroçam enciclopédias inteiras. Assim se fez comigo: primeiro tirou tudo o que era esperançoso e gentil, trocando-o por mesquinharia e maldade, para mais tarde apunhalar o que já era frágil, tornando-o mórbido.
___A estupefação e o maldizer alheio – incluem-se aqui amigos, amantes e familiares – trazem desconforto, exasperação, mas nunca o tsunami que é essa afixação: a pancada inicial tira o equilíbrio, assusta, derruba os andares mais altos dos edifícios, liquidando as vidraças coloridas e os móveis pomposos. O segundo golpe volta arrastando tudo quanto é sentimento, arrebenta os alicerces, o concreto. Os corpos que bóiam nas águas são tragados como estrume até o mais profundo fundo do mar, anônimos, como os pedacinhos que sobram da integridade e da autopreservação.
___Pois creia, leitor: a frivolidade do resguarde não se faz presente numa mente perturbada, que deseja nada além do objeto desejado, e o deseja com tal fervura, que se perde no meio da sua fantasia. Um obcecado não pertence a si mesmo: pertence àquilo que ama. E esse amor nunca é nobre ou recíproco: é sempre mortiço, prostrado, odioso, obediente. Além de tudo, é contente e se regozija na solidão do querer.
___A vida idealizada é tão trágica quanto a real, somente mais constante e cômoda – o conflito de personagens inexiste, toda maldade é concebida por um ato de amor, toda lágrima provém de algum propósito nobre, e a dor que se sente é induzida. O equilíbrio é um mero suspiro; o regresso à realidade, uma súplica distante na quietude. O afixado é um inquieto, que supre o seu vício mais doloroso com outros banais: o sexo, o cigarro, a cocaína. É um viciado.
___O meu vício se deu na imagem de monsieur H., o mais perverso homem que havia habitado meu campo de visão. E que visão ele proporcionava! Seu corpo esguio era imponente como o de uma Naja, escamosa e desconfiável. Um perfeito impostor. O coração já não disparava, mesmo com os remendos aplicados em sua frágil aorta. A pele era tão fria que nenhum calafrio o trespassava e embrulhava seu estômago, muito menos enrubescia a cara, se estivesse apaixonado. H., apaixonado? Delírio meu! Desprovia de charme sensível: era um louco e tudo o que lhe interessava era a malícia escorrida de cada palavra – e eram todas tão bem comedidas! Mantinha a distância da perseguição.
___Fazia também questão de esbanjar sua apatia pelo amor, e nisso eu ardia em admiração. As narinas simétricas eram imunes ao odor pútrido que exalava de si, um morto-vivo em decomposição. E como era lindo! Perfeitamente adorável em toda a sua negação pela vida. Nada mais justo, porquanto eu morria a cada dia, diante daquele anticristo. Sem vida também era a boca, ríspida num sorriso bizarro e destorcido (a tristeza de uma felicidade genérica). Perdido, adequado, pesaroso. Um obcecado pela solidão. Um viciado. Seu olho inteiro era um buraco negro, sem perspectiva de retorno.

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A qualidade do texto talvez esconda um dado interessante: a autora tem apenas 17 anos… tem futuro, não acham?

(por: Rafael Reis)

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Retrofuturs

“My global concept is called ‘Retrofuturs’: mix the past, the present, the future and shake it”. É assim que Stéphane Massa-Bidal define seu trabalho. A série de posters acima ilustram, num estilo vintage, os serviços mais usados na web nos últimos anos. Conheça outros ótimos trabalhos do ilustrador francês aqui.

(por: Fernanda Gontijo)

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Responsabilidade da forma

15/12/2009

___Roland Barthes, em sua “Aula” inaugural, falou da “responsabilidade da forma”. Seja ela qual for, é em referência e em fidelidade a ela que o escritor deve praticar seu ofício, ainda que busque formas informes em sua prática.
___Atualmente, a pós-modernidade chutou o balde e esqueceu-se muitas vezes de tal responsabilidade. Não é preciso voltar a escrever epopéias e sonetos, mas também não acho que devam ser ignorados. Lê-los ou escreve-los ensina alguns princípios e técnicas indispensáveis. É essa a história literária que me interessa: a das formas literárias (a do sentido, da musicalidade e da imagem). Seguem dois exercícios:
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Golem

Seu corpo, seus vermes – o que faz o morto
São os vermes do corpo, o corpo dos vermes.
Se suas sombras, sobras podres do corpo,
Entre os porcos sopram agourentos germes,

Resta o abandono que engendra nos vivos
O assombro de um rosto partido, em carne
Fria e descoberta de odor repulsivo.
Impiedosa, se a morte os impele, tarde

Ou cedo, restam-lhes fardos que repelem:
Os remanescentes da foice, alívio
Breve, tramam véus sem destino – engolem

Seco o sem sentido de um hálito ínvio:
Colhido na fronte disforme de um golem,
Perda viva, um breve rito – oblívio.

Erick Costa

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Relicário

A sala deserta ignora o relicário
Que subsiste no canto da sala coberta
De resto de vozes e momentos precários
Anuncia a chegada de uma hora incerta.

Pobre objeto de um tempo passado, vivido,
Outrora importante, mas agora esquecido
Prefere sufocar tantos gritos e lágrimas
E assistir mudo à ruína da antiga casa.

Mas oh! relicário tão partido e imendado
As colas em seu corpo são veias sangüíneas
Por elas escorrem lembranças e saudades
De lugares e épocas e vozes longínquas:

Não mais cale seu canto de pedra imortal
E seu bafo contínuo nos livre afinal!

Rafael Reis
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(por: Erick Costa)

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Suaves cisões

14/12/2009

Prosa poética enviada por Geison Almeida para o blog.
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Suaves cisões

___Naquele tempo em que o mundo fora dividido, poucos se importaram com isso. O vidro permitia ver as aparências dos outros e isso sempre foi o necessário. Ainda o é. Eu nasci com o olhar voltado para o lado em que vivo. Caso olhasse por entre a vitrine, pouco via, nada me atraía. Hoje, lá não tem nada que minha consciência projeta como minha. Talvez o vidro, com sua lisa textura, desejava minha presença.
___Houve aquela tarde fria, cuja ferrugem sanguínea inspirava-me a olhar pra fora. Do lado de cá, um homem apresentava-se com o rosto virado para o vidro. Caminhava de um lado ao outro em seu local de posto, fazia pequenas pausas, suspendia a cabeça, tocava a parede transparente, procurava algo, que, hoje, especulo que era a sua perda – por mais que ela exista e freqüente os espaços de outrora. Não que aquele homem fosse vadio, mas ainda perambula às margens das águas sólidas e límpidas. Não sei o seu nome. Nunca o soube. Não ousei perguntar. Ele está sempre ali e fechar a sua vida aberta, interrompida pela textura, seria uma negação da existência tanto minha quanto dele.
___Tais tardes repetiam-se, os olhares vagabundos mantinham-se. Eu via as suas costas e ele não aceitava o limite. Do outro lado, um dia, surgiu um sorriso observado pelo errante estrangeiro. Seu alvoroço comprovava sua visão. Um sorriso, de boca pequena, rosto arredondado, contornos finos e macios e com um olhar negro profundo. Era um fio esse sorriso: comunicava com os olhares caídos daquele homem. Do outro lado do vidro, nada se ouvia e a comunicação dos dois também era precária. Eles se relacionaram por um tempo. Algo de difícil explicação acontecia. Não se sabe ao certo se as visões eram recíprocas, mas havia uma silenciosa contaminação.
___Tangenciavam a superfície do vidro com os dedos, o braço, o rosto e a boca, não que fossem encontros simultâneos, mas a pele e o vidro demandavam o contato. Os reflexos solares, ou mesmo as luzes de ambos os lados intercalavam imagens que ora refletiam seus rostos ora projetavam suas distâncias. Aquele sorriso era o que ele ou eu queria. Era nítida a fúria provocada por aquele olhar insinuante para os outros seres do lado de lá. Ele aprendeu a sofrer pela imagem difusa, tanto o foco quanto a luz o iludiam.
___Com um pincel de cor terrosa traçou os contornos da bela moça, ao passo que quando ela se colocava frente à projeção, que aquele homem fizera, as cores confundiam-se e o que parecia apenas uma imagem do outro lado do vidro materializava-se deste lado como uma nova aquarela.
___Foi desenhada toda relação, principalmente, os suspiros e as intenções vermelhas. A parede transformou-se em uma tela líquida, onde fluem os contornos daquele sorriso cujo corpo é, hoje, apenas escrito. Os possíveis abraços existiam em sua negação. Enquanto a moça dançava: os passos eram picturados, bem como o toque no cabelo, o lavar do rosto, os beijos nos outros. O pincel por sobre o vidro era a única possibilidade do encontro diante da impossibilidade do desejo.
___As tardes rubras pouco existem. Do outro lado, o sorriso se perdeu, aqui ele é vermelho e ocupa toda extensão do meridiano transparente. A história daquilo que não foi continua a passar sua textura que se cristaliza com o tempo que desce.

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(por: Maraíza Labanca)

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sexta-feira

11/12/2009

(por: Fernanda Gontijo)

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Nevermore

10/12/2009

O poema “O corvo”, de Edgar Allan Poe, acaba de ganhar uma versão em quadrinhos. Lançada pela editora Peirópolis e ilustrada pelo mineiro Luciano Irrthum, a versão utiliza a tradução de Machado de Assis para o poema.

(por: Fernanda Gontijo)

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